[en] [es] [pt]

lista projectos

<< >>

 

 

 

lista projectos

<< >>

 
 

Concurso Rave
Estação Lavradio

Barreiro
2009


O passado recente do Barreiro foi marcado pela presença intensiva da indústria pesada e de grande escala. É uma memória incontornável, mesmo admitindo que parte dos seus habitantes não se revejam nela ou até pretendam ignorar ou mesmo esquecer essa “herança”. Contudo, são os factos e a sua sequência, aquilo que constrói a história e a memória colectiva. A revolução industrial não definiu uma arquitectura? Não foram as estações ferroviárias do meio/fim do século XIX, uma das expressões máximas dessa arquitectura? Não foram esses mesmos edifícios que marcaram as cidades no seu tempo e que, posteriormente, definiram o sentido urbano que caracteriza aquilo que é uma gare? Independentemente da sua própria história, do seu passado, o Barreiro não pode ignorar a universalidade da História, onde, como todos os outros sítios do mundo, também terá o seu lugar.

O edifício da estação deve ser capaz de incorporar esse património local sem esquecer que também existe um património universal que também pode (e deve) ser seu. Só assim a Gare do Sul, estação do Lavradio, poderá aspirar a ser genuinamente contemporânea.

O edifício da estação não é um edifício. É uma espécie de invólucro, uma capa, que envolve e oculta um viaduto ferroviário permitindo, deste modo, que se torne habitável. A sua ocupação interna é extremamente simples uma vez que se pretende que o viaduto, encoberto para o exterior, permaneça visível no interior – predominam as transparências e as continuidades espaciais para que a sua permeabilidade se torne efectiva, manifestando-se assim a sua condição de elemento de articulação, e também de separação, dos espaços exteriores que lhe são contíguos a nascente e a poente. É também por isso que a organização interna do programa se faz através da disposição de volumes soltos e moduláveis, diferentes na forma e materiais de revestimento, os quais, pela relação que mantêm com aquela estrutura, acabam por definir os percursos que o utente poderá utilizar. Isto porque uma estação ferroviária também é movimento – das pessoas e dos comboios.

  n