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Casa no Lugar de Cónegos
Maia
2001 - 2006

Como tantas vezes sucede na periferia das cidades, um lugar com um enquadramento paisagístico digno acaba por transformar-se em mais um loteamento banal – ignoram-se possíveis pontos de vista, omite-se a topografia, esquece-se a exposição solar adequada e tantas outras coisas …
Parece que tudo tem que ser necessariamente conduzido para uma geometria estéril, porque desprovida de sentido e onde qualquer relação é proibida.

Pretende-se uma casa de um só piso, envolvida por um jardim que seja tão grande quanto possível – talvez ainda um sintoma revelador da matriz rural da qual todos nós, portugueses, parecemos ainda depender.
Foi assim: a casa deve escalonar-se no terreno de acordo com a topografia, até que nele se dissolva; o jardim deve ocupar a máxima superfície disponível invadindo a casa, absorvendo-a, até a fazer desaparecer. Isto porque não interessa saber onde começa e acaba um e outro, porque cada um depende do outro.
Esta abordagem à casa não procura mais do que vincar a importância que se quer atribuir ao espaço exterior. É por isso que a organização e a sequência dos espaços se estabelecem do exterior para o interior, para que assim o jardim participe e esteja presente em todos os compartimentos da casa.
O tempo e a natureza encarregar-se-ão de a tornar cada vez menos presente, até que desapareça e já não seja possível dissocia-la do terreno que a suporta.
A casa expressar-se-á então muito mais como uma espécie de ausência, distanciando-se, também por isso, de tudo aquilo que a envolve para se concentrar em exclusivo no espaço que ocupa, absorvendo-o até nele se tornar irreconhecível.
Isto porque, e como já se disse noutro momento e noutro lugar, esta também é uma casa que quer ser apenas uma casa.